banner  
  Principal
  Quem Somos
  Artigos
  Notícias
  Mural
  Contribua
  Página Inicial
  Fale Conosco
  Contact Europe


Google

  Artigos  
O futuro do ensino jurídico no Brasil

09/01/2008 - 19h41m
 
 O último exame para aprovação dos bacharéis em direito e, por conseguinte, resultar em futuros advogados foi defraudado...
 
Denúncias apontaram que um cursinho obteve um acesso exclusivo e não permitido à prova que seria realizada no último dia 9 de dezembro.
 
A notícia foi veiculada em pleno Jornal nacional e sua repercussão foi completamente negativa para a Instituição que a organiza. A OAB? Não, a organizadora e responsável pelas questões foi a VUNESP.
 
Quando perquirida sobre irregularidades a OAB se reuniu rapidamente e através de seu Presidente decidiu por cancelar o exame, em prol da dignidade e da decência.
 
No entanto, esse episódio terá sido pontual, ou se trata de apenas mais um capítulo dessa trágica novela, que tem ares de dramalhão mexicano, chamada qualidade de ensino no Brasil?
 
O acesso às provas é restrito, logo não havia como um cursinho preparatório ter acesso há questões previamente. Mas, na prática, não foi o que se observou.
 
Os contornos de crueldade que perfazem o aluno de cursinho chegam a ser alarmantes. Um aluno passa cinco anos de sua existência numa universidade em busca de um diploma. Findo esse período sua obrigação parece cumprida, porém, ainda falta uma última etapa: a obtenção da carteira funcional.
 
Eis o princípio do fim, pois nessa nova etapa o aluno descobre quanta diferença em seu aprendizado aquelas noites no bar ocasionaram. Os pais desnudam uma infeliz realidade: que a faculdade fingia ensinar seu rebento e, este? Fingia que aprendia.
 
Entretanto, os pais nunca fingiram que pagavam...
 
Novo questionamento surge: ué, mas não era a faculdade com maior quantidade de aprovações? Pois é, será que um profissional qualificado de propaganda revelaria que manipulação de estatística não deixa de ser um dado concreto e verdadeiro? A diferença é qual lado do prisma se vê a informação?
 
Afinal, aprovar uma grande quantidade de alunos é uma obrigação, mas qual a porcentagem de aprovação ao total de inscritos? Ops... A estatística não é mais assim tão vitoriosa.
 
Essa guerra para conquistar um aluno mediante demonstração de estatísticas começou muito antes da universidade. A manipulação de informação pode ser observada em cursinhos vestibulares também.
 
Os dados não são equivocados, mas não são completamente verídicos, pois o resultado final olhado de forma fria e concreta é outro.
 
Nesse momento, o pai se conforma, porque o filho não teve “capacidade” de ingressar numa faculdade de ponta e assim ser aprovado sem esforço.
 
Intrigante, quando da matrícula nada disso fora dito, e muito menos algum alerta sobre ensino deficiente. O curioso é que em outras faculdades também não, o importante é que seu filho teria um diploma.
 
O resultado dessa novela é uma reprovação acima de oitenta por cento por exame. E, mesmo assim, um número em torno de 12.000 novos advogados ingressa ao mercado de trabalho anualmente.
 
Imagine se a aprovação não fosse tão baixa? O que aconteceria com o mercado? Haveria emprego para todos?
 
A OAB não é a vilã protagonista dessa telenovela, com ares de horário nobre. Seu papel foi digno ao cancelar o exame e preservar a própria instituição.
 
De tal sorte, a outra ponta também deve ser preservada, qual seja? O aluno.
 
Quase 250 faculdades de direito somente no Estado de São Paulo representa um semi-caos. Agora, mais de mil no país inteiro é a plena certeza de que o estelionato jurídico velado ou explicito é uma realidade indissociável do cotidiano nacional.
 
Não é possível a existência de profissionais qualificados para absorver a demanda criada por todas essas faculdades. O resultado é uma mercantilização do ensino, que perdura mesmo após o término do curso.
 
É papel dos cursinhos o complemento do ensino deficitário distribuído aos alunos. Com uma sutil diferença: na faculdade o aluno teve cinco anos para ser mal lapidado, enquanto que no cursinho os professores têm poucos meses para completar toda a defasagem.
 
É o mesmo que praticar uma alquimia... um carvão não se transforma em diamante puro e lapidado da noite para o dia.
 
E os fracassos se acumulam: uma reprovação, duas, três, etc. a troca de cursinho chega como alternativa e a insatisfação cresce em progressão geométrica: primeiro contra a OAB (que exame impossível), depois contra o cursinho (o professor não está me dando as dicas certas) e por fim, o corretor (com certeza ele fez isso de propósito).
 
Quando em verdade o responsável permanece incólume: o curso de direito. A universidade é última ponta de iceberg, mas ao contrário do que se pensa é a base do problema. Um dono de cursinho não pode falar para um pai que o filho dele é completamente despreparado e que a única chance é a feitura de uma graduação qualificada.
 
Por isso, medidas descabidas como as que presenciamos no último exame acontecem. O cursinho tenta eliminar as falhas de seus alunos de todas as formas e o que é uma ilicitude num país que prima pelo jeitinho, não é mesmo?
 

Que bela forma de ensinar um estudante a advogar, será este o futuro do ensino jurídico no Páis?

 

 

antonio@antoniogoncalves.com

www.antoniogoncalves.com




Veja também:

06/08 - 22:33 Lula, por que não te calas?

30/07 - 10:54 O QUE UMA ESCRITORA HOLANDESA FALOU DO BRASIL

18/04 - 22:22 Homem que é homem não chora?

10/03 - 16:23 A MENTE APAGA REGISTROS DUPLICADOS

21/01 - 01:46 Anistia x impunidade

 
Igor Xavier

Associação de Combate ao Crime, Corrupção e Impunidade
Av. Cula Mangabeira, 210 - Sala 704 - Centro - Montes Claros - MG - CEP:39.401-001