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desarmamento

11/09/2007 - 09h19m
A CAMPANHA NACIONAL DO REFERENDO DAS ARMAS
 
A campanha nacional pelo voto NÃO foi uma experiência inédita e histórica para todos aqueles que dela participaram direta ou indiretamente. Afinal, o referendo das armas foi a primeira consulta popular da democracia brasileira e a primeira no mundo sobre propriedade privada de armas e munição. "Foi o maior desafio profissional de minha vida; uma responsabilidade de Atlas porque eu sabia da repercussão nacional e internacional do referendo", afirma categórico o empresário Marco Antonio Castro, coordenador-executivo nacional da campanha do Voto NÃO no referendo. Marco Antonio manteve acesa a chama da vitória porque sempre acreditou que haveria uma grande chance de virar os 80% a 20%, iniciais, se houvesse uma oportunidade justa na mídia nacional.
 
Mobilização é a palavra que explica a esmagadora vitória do NÃO com 60 milhões de votos. Na opinião do especialista em Polícia Comunitária, Paes de Lira, coronel aposentado da polícia paulista, que se engajou na luta pelo direito à legítima defesa em 1999, a mobilização vitoriosa teve vários aspectos. "Por ordem crescente de importância, quatro vertentes formaram o espaço necessário para convencer a população: os eventos públicos (debates e palestras ao vivo); a internet; a cobertura de mídia (entrevistas e debates e a posição editorial da revista Veja); e o horário eleitoral (propaganda política)", opina Paes de Lira. Para ele, os três primeiros tópicos são frutos da militância nacional. Militância que Bene Barbosa, presidente da ONG Viva Brasil, começou em 1995, quando fez um cartaz que foi publicado no Shonet, site que pertencia ao Atirador e articulista da Revista MAGNUM, “Zeca Mathias. "Nossa luta virtual contra o desarmamento começou aí, com aquela ação de criar um cartaz dizendo: A chance de reagir a um assalto é de uma para mil. Eu quero essa chance!", explica Bene.
 
A grande lição que Eric Rubiale, coordenador do Viva Brasil no Espírito Santo, diz ter tirado do referendo é a força da luta. "Se você acredita em algo, mesmo que pareça impossível, ergue a cabeça e vá à luta", afirma. Ir à luta foi o que fizeram todos os que se mobilizaram pelo voto NÃO no país inteiro. "Houve uma interação de todos os setores que jamais havia sido vista em prol de um único objetivo: ganhar. Esse espírito acabou se espalhando pelo Brasil afora, criando uma onda de adesões inacreditável", comenta  Marco Antônio, que viu seu entusiasmo crescer dia-a-dia a partir do que acontecia em cada um dos estados. Pit stops, passeatas, carreatas, manifestações, trios elétricos e panfletagem não faltaram nas cidades. Muito de tudo isso, com recursos dos próprios militantes. "Os internautas solicitavam material, a gente respondia que era para imprimir em casa e fazer xerox e eles faziam", comenta Mônica Prado, gestora da Assessoria de Comunicação Social que apoiou a Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa.
 
"Meu orgulho é ter contribuído para desmascarar a farsa. Quem desarma o cidadão, principalmente quando não se preocupa com os bandidos, é governo ditatorial", afirma o ex-senador Irapuan Costa Júnior, que saiu pelo estado, com recursos próprios, fazendo debates, dando entrevistas e escrevendo artigos para tornar a campanha em Goiás a mais combativa possível. "No Rio Grande do Sul, conseguimos muitos de nossos votos nas audiências públicas", diz o atirador Dempsey Magaldi, que agora quer continuar lutando e apresentar propostas para melhorar a segurança pública. Magaldi reuniu apoio em Porto Alegre e centrou suas mobilizações na Esquina Democrática, na Avenida Borges e na Rua da Praia. O mesmo fizeram os partidários do NÃO em Curitiba (PR). Houve fila na hora de distribuir camiseta em cima de caminhão, na Boca Maldita. "O que mais emocionou foi a mobilização crescente pelo NÃO em todo o estado", comenta a assessora de Imprensa do deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), Márcia Pessotto. Pedro Lupion, coordenador estadual da campanha pelo NÃO no Paraná, diz: "a gente sabe que vai ganhar eleição quando as pessoas se movimentam sozinhas, imprimem e distribuem seus próprios materiais e fazem seus próprios adesivos".
 
Fernandes Filho, no Ceará, um empresário de Turismo, juntou em volta de si outras pessoas que acreditavam que o direito de se defender não podia ser suprimido, pois isso seria a política de rendição. "Para não dar certeza ao ladrão, vote não. O cartaz de Francisco Jathay permitiu instalar a União de Defesa da Cidadania para lutar por uma causa justa", explica Fernandes, que investiu recursos próprios para a mobilização corpo a corpo nas principais praças da cidade, nos terminais de ônibus, pelas comunidades de internet orkut e msm. Igual fez também a família Bolsonaro. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (PFL-RJ) realizaram passeatas e debates desmascarando os que defendiam que a população ordeira era aquela responsável pela violência. "Nossa emoção foi a aceitação do povo nas ruas durante as passeatas e da juventude nas escolas e nas universidades", diz Jair, o pai, Bolsonaro.  
 
Em Porto Velho e Ji-Paraná, sob a coordenação do deputado federal Miguel de Souza (PL-RO), não foi diferente. Outdoors, pit-stops, caminhadas, entrevistas nas rádios e televisões locais. Houve distribuição de material gráfico em todos os 52 municípios do estado como cartazes, santinhos e bandeiras. "Tudo transcorreu em clima de tranqüilidade em Rondônia, único estado em que não houve Frente do Sim", explica Nanci Valente, assistente do deputado Miguel de Souza e presidente do Diretório do PL estadual. Segundo Nanci, desde o princípio, a adesão ao voto não foi sentida com muita firmeza. "Com freqüência, os eleitores buscavam mais informação, declaravam seu voto ao NÃO e às propostas da Frente", comenta Nanci.
 

A militância e a adesão que o voto não ganhou paulatinamente em todo o país é agora o motor que o Viva Brasil quer assegurar para as eleições do ano que vem. "O Movimento Viva Brasil trabalhará incansavelmente para não deixar que os que nos apoiaram sejam esquecidos e trabalhará mais ainda para que aqueles que atacaram nossos direitos não sejam reeleitos. Por esse motivo, temos em nossos arquivos todos os nomes daqueles que, durante os últimos dez anos, estiveram de um lado ou de outro", afirma categórico o presidente Bene Barbosa.

Fonte: www.revistamagnum.com.br

 



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Igor Xavier

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